Viralizou o vídeo de audiência trabalhista que chocou a todos, onde a juíza demonstrou desequilíbrio e pouca educação, constrangendo e intimidando uma testemunha. Não pude deixar de lembrar dos tempos em que ainda atuei como advogada. E agradeço a Deus por não pertencer mais a esse mundo doido que acaba com saúde física, emocional e até mental das pessoas. É preciso estar com terapia em dia para não surtar e controlar a vontade de gritar bem alto o que sempre diz Márcia Sensitiva “para de ser doida!”.
As pessoas veem glamour onde há situações como essa que foram registradas. Quando o advogado conta algo assim muitos pensam que se trata de exagero. Pensar que muitas vezes nem prova a gente tinha dos mandos e desmandos de juízes fora da casinha.
É lamentável que situações como essa da audiência se repitam, onde a falta de respeito e educação por parte de alguns juízes tornem o ambiente jurídico hostil. Eu já enfrentei audiências com juízes que exibiam seu poder como um deus (é no minúsculo mesmo), humilhavam advogados e esqueciam do cuidado com as pessoas sentadas ali. Muitas eram partes nervosas por estarem num ambiente que não é costumeiro e por vivenciarem algum problema grande com alguém ou empresa. Quantas vezes faltou acolhimento e sobrou frustração.
O pior é que eles deixam os advogados acuados como se fossem bichinhos indefesos. A instabilidade é tão grande que você entra em liberdade, mas pode sair preso só porque o juiz está de mau humor ou só não gosta de advogado mesmo. Há vários assim. Felizmente, nem todos os juízes são assim. Conheci magistrados maravilhosos, dignos, que respeitam as pessoas e seus advogados, e explicam a situação quando percebem a falta de conhecimento.
A instabilidade é tão grande que, ao entrar em uma audiência, você pode sair livre ou preso, dependendo do humor do juiz ou do nível elevado do seu ego. É triste perceber que alguns magistrados não compreendem a importância do respeito e da empatia. Felizmente, conheci juízes maravilhosos, dignos, que respeitam as pessoas e se esforçam para explicar a situação quando percebem a falta de conhecimento. Gente como a gente que você senta para tomar um café e conversa por horas sobre assuntos jurídicos e diversos.
Juiz precisa conhecer gente, saber se relacionar com gente. Não adianta apenas o conhecimento jurídico. Conhecimento técnico advogado, juiz e até mesmo o cartorário tem. Se não compreender a complexidade das relações humanas, o sofrimento das pessoas e as suas limitações de nada adianta.
A pressão é grande por todos os lados, as condições nem sempre favorecem, mas NUNCA deverá afetar relacionamentos. Prevalece a urbanidade citada pela juíza a qual ela mesma deve desconhecer o seu significado.
E se você não sabe, eu vou te explicar, aliás, vou trazer a definição do Dicionário Oxford. URBANIDADE é o “conjunto de formalidades e procedimentos que demonstram boas maneiras e respeito entre os cidadãos; afabilidade, civilidade, cortesia”.
Independentemente do nível de escolaridade ou do status social, a falta de educação e respeito é inaceitável. Muitos advogados acabam se concentrando em se adaptar a um sistema falido que, por vezes, os obriga a se prostituir profissionalmente. É pesado, porém, triste realidade. Manter a saúde emocional e mental torna-se um desafio ao lidar frequentemente com juízes que parecem distantes da realidade.
Agora, cá entre nós. Imagine se a testemunha fosse mais humilde e a chamasse de “Meretríssima”, hein!?

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